terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Distâncias que separam e aproximam


Esse momento é de muita correria, sinto-me um pouco angustiada ou talvez seja só saudade.
A saudade aqui ganha proporções que realmente não tinha experimentado ainda - apesar de ter vivido longe de pessoas que amo a maior parte do tempo, mas nem se compara a isso. É bem mais do que simplesmente querer estar perto e abraçar ou participar dos acontecimentos alegres ou difíceis. É como estar faltando uma parte de si mesmo que a gente precisa relembrar com músicas e fotos. Aqui, onde os valores são muitas vezes tão diferentes dos nossos -alguns até distorcidos-, se exercita mais do que tolerância, se exercita encontrar quem realmente se é, caso contrário, se perde em meio a tanta banalidade quando estamos em momentos de tristeza e fraqueza.
Isso me faz perceber que existem espíritos abertos para viverem longe de suas famílias (que talvez não lhe sejam tão caros como os meus o são) como vemos muito por aqui, pessoas com famílias, filhos em seus países de origem (ou não) e que simplesmente escolhem viver a distâncias muitas vezes intransponíveis, já que vem para países por anos sem sequer mencionar uma visita à família.
Eu, definitivamente, não sou um desses. Preciso acompanhar minha família seja simplesmente para fazer parte dela, seja para dar suporte quando necessário. Não morando na casa ao lado, nem sequer na mesma cidade, mas no mesmo país já é o suficiente, mesmo sendo uma país grande como o Brasil. Dói muito saber quando qualquer um da família está passando por qualquer dificuldade e quão complicado seria sair de onde estou para voltar ao Brasil. E quando sou eu quem estou precisando de um colo a dor explode num vazio que aqui ninguém nem que tente pode preencher.
Claro que as coisas aqui não se resumem a uma superficialidade total. Fiz amigos aqui (pelo menos dois) que tenho certeza de que vou levar para a vida inteira, nem que seja em contatos esporádicos pela internet. Mas simplesmente não são minha família. E família aqui é algo que fica bem claro para mim quem são. O que muitas vezes chamamos de amigos, mesmo aqueles com quem nos sentimos tão em casa e familiarizados posso compreender hoje que podem ser somente parceiros de atividades, mas os que você sente falta realmente são os que você enumera como parte da sua família na hora da saudade. 
Isso me faz questionar se essa saudade imensa é uma fraqueza ou uma fortaleza... acho que depende de cada caso.
Bom, hoje nossos passaportes foram para os EUA para adiantar o visto para Moçambique e amanhã vamos tomar vacinas que estão faltando. Cada dia que passa é um dia a menos em São Vicente e um dia próximo da África. Um ano na África... como será minha saudade até lá?

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