sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sermos Humanos

Uma das vivências mais enriquecedoras que temos por aqui é que as  coisas acontecem muito rápido e que temos que aprender a seguir o fluxo e aprender ao mesmo tempo. Muito coisa provavelmente só vamos perceber quando daqui a alguns anos olharmos para trás e vermos quantas coisas passamos sem ter muito tempo para assimilá-las porque lá vinha outro acontecimento sobrepondo o anterior. 
Nesses dias de janeiro em que tudo o que temos conseguido e pensar na contagem regressiva para a África, somos obrigados a parar para pensar sobre nosso companheiro brasileiro, Gustavo, que voltou para o Brasil para ir atrás de outros sonhos. Uma pessoa de quem eu não teria trocado muitas palavras se estivesse no meu cotidiano no Brasil. Mas aqui é um ambiente em que laços são feitos sem mesmo se perceber e sentidos quando são ameaçados de serem perdidos. Quando menos esperamos estamos com lágrimas nos olhos vendo novos amigos partirem sem saber se ou quando nos vemos de novo. O mundo é pequeno, já foi um só e somos todos irmãos...
Ao lado disso, num país vizinho, ainda mais pobre que São Vicente, dois terremotos chacoalharam a vida de todos lá estavam. E surge a pergunta de até onde podemos suportar as manifestações naturais e aquelas consequências de nossos próprios atos irresponsáveis. A terra já possui catástrofes naturais suficientes para nós continuarmos cultivando outras seja por contribuindo ou deixando que se perpetuem. É cativante todos se mobilizarem para um fenômeno natural e não medirem esforços para ajudar um país como o Haiti nesse momento. Mas falta o sentido de humanidade para reconhecer as culpas na destruição da terra, dos recursos naturais, florestas, da nossa água que está escasseando a cada dia que passa e apenas uma minoria realmente faz alguma coisa a respeito. 
Alguns podem se perguntar o que dois fatos como o terremoto no Haiti e a partida de um novo amigo tem a ver com os nossos atos frente a natureza. Tem tudo a ver: estamos constantemente tocando a vida dos outros e sendo tocado por outras vidas, a Terra está sempre reagindo a cada um dos passos e decisões que cada ser humano toma e já deu muitos sinais de que não estamos fazendo bem a ela. Nos preocupamos tanto em sermos queridos e em agradar nossos amigos e família e, a maioria das vezes, não nos importamos em cuidar do chão que pisamos e que nos provê de tudo aquilo que precisamos para viver: água, ar, alimento. Humanos todos somos, mas ainda precisamos aprender a desenvolver essa humanidade. 

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