Outro dia, uma amiga me fez a revelação de que o motivo
pelo qual seu marido tagarelava sem parar quando eu os visitava era simples:
encher minha cabeça de tanta informação que eu não tivesse tempo para
analisa-lo. E qual não foi o susto dele ao minha amiga lhe perguntar: “e você
acha que falar sem parar já não é uma coisa para se analisar?”. E ele,
finalmente, ficou sem palavras.
Rimos, claro, porque é sim, engraçado. Mas é uma realidade diária para todo psicólogo que nossa profissão raramente causa reações mais neutras. Em maior ou menor grau, nossa presença, quando anunciada, pode aproximar uns e afastar outros. Logo que se começa a cursar psicologia, já vamos começando a perceber esses diferentes efeitos nas pessoas. Não querendo generalizar, mas falo aqui dos casos extremos que não são – ainda bem! – a maioria.
E os extremos são os “analise-me, por favor” e os “nem vem me analisando, não!”. O silêncio de um psicólogo diante de ambos gera sempre a fantasia de que estamos os enquadrando e traçando seus perfis em nossa cabeça. Depois do silêncio, o psicólogo emite um simples “hummm” e pronto, é praticamente o gatilho para os “analise-me, por favor” pedirem qual é o diagnóstico deles e dos “nem vem me analisando, não” irem pegar um copo d’água e não voltarem nunca mais. Enquanto isso, o psicólogo que, no silêncio, tentava lembrar se trancou a porta ao sair e fez “hummm” ao perceber que precisava reagir a outra pessoa que estava falando com ele, procura meios de responder à ansiedade do que pediu o diagnóstico ou de ficar parado se perguntando se não fora mal-educado com o que se retirara...
Essas reações ilustram que ainda há pouco esclarecimento sobre o que faz um psicólogo. E ainda dentro das diferentes áreas e funções que um psicólogo pode ter, existem ainda as diferentes abordagens e atuações particulares de cada profissional. Sem falar que como toda profissão, existem os bons e existem os ruins que são os que ajudam a disseminar ideias equivocadas a nosso respeito.
Agora, uma coisa é certa: medo de psicólogo é como medo de dentista, quando se tem, é porque se sabe que pode doer. Fazer terapia não é um bicho de sete cabeças, é uma busca de autoconhecimento, de aprender a ser mais adaptativo: melhorar a relação com o trabalho, com alguém em particular, com o próprio corpo, buscar orientação profissional etc. Inúmeras razões que podem ser beneficiadas com a nossa ajuda. Porém, assim como o exercício físico, qualquer esforço nos tira da zona de conforto e isso pode nos incomodar. Um pequeno preço a se pagar para ser mais feliz.
O medo, aquele monstrinho que sussurra que “eu não preciso de terapia”, “eu me viro sozinho” ou “terapia é para os fracos” impede a pessoa de enxergar que forte não é quem aguenta a dor psíquica calado até essa se tornar uma doença física, dor na coluna, enxaqueca, gastrite dentre outras. Tem gente que insiste em dar cabeçadas por anos e anos na mesma dor, mas resiste em procurar uma opinião profissional. Quando se trabalham as dores em terapia, se ganha muito tempo e qualidade de vida. Isso sem falar que há coisas que sem uma ajuda profissional podem não ser bem elaboradas, simplesmente reprimidas.
Rimos, claro, porque é sim, engraçado. Mas é uma realidade diária para todo psicólogo que nossa profissão raramente causa reações mais neutras. Em maior ou menor grau, nossa presença, quando anunciada, pode aproximar uns e afastar outros. Logo que se começa a cursar psicologia, já vamos começando a perceber esses diferentes efeitos nas pessoas. Não querendo generalizar, mas falo aqui dos casos extremos que não são – ainda bem! – a maioria.
E os extremos são os “analise-me, por favor” e os “nem vem me analisando, não!”. O silêncio de um psicólogo diante de ambos gera sempre a fantasia de que estamos os enquadrando e traçando seus perfis em nossa cabeça. Depois do silêncio, o psicólogo emite um simples “hummm” e pronto, é praticamente o gatilho para os “analise-me, por favor” pedirem qual é o diagnóstico deles e dos “nem vem me analisando, não” irem pegar um copo d’água e não voltarem nunca mais. Enquanto isso, o psicólogo que, no silêncio, tentava lembrar se trancou a porta ao sair e fez “hummm” ao perceber que precisava reagir a outra pessoa que estava falando com ele, procura meios de responder à ansiedade do que pediu o diagnóstico ou de ficar parado se perguntando se não fora mal-educado com o que se retirara...
Essas reações ilustram que ainda há pouco esclarecimento sobre o que faz um psicólogo. E ainda dentro das diferentes áreas e funções que um psicólogo pode ter, existem ainda as diferentes abordagens e atuações particulares de cada profissional. Sem falar que como toda profissão, existem os bons e existem os ruins que são os que ajudam a disseminar ideias equivocadas a nosso respeito.
Agora, uma coisa é certa: medo de psicólogo é como medo de dentista, quando se tem, é porque se sabe que pode doer. Fazer terapia não é um bicho de sete cabeças, é uma busca de autoconhecimento, de aprender a ser mais adaptativo: melhorar a relação com o trabalho, com alguém em particular, com o próprio corpo, buscar orientação profissional etc. Inúmeras razões que podem ser beneficiadas com a nossa ajuda. Porém, assim como o exercício físico, qualquer esforço nos tira da zona de conforto e isso pode nos incomodar. Um pequeno preço a se pagar para ser mais feliz.
O medo, aquele monstrinho que sussurra que “eu não preciso de terapia”, “eu me viro sozinho” ou “terapia é para os fracos” impede a pessoa de enxergar que forte não é quem aguenta a dor psíquica calado até essa se tornar uma doença física, dor na coluna, enxaqueca, gastrite dentre outras. Tem gente que insiste em dar cabeçadas por anos e anos na mesma dor, mas resiste em procurar uma opinião profissional. Quando se trabalham as dores em terapia, se ganha muito tempo e qualidade de vida. Isso sem falar que há coisas que sem uma ajuda profissional podem não ser bem elaboradas, simplesmente reprimidas.
Mas tudo isso remete a um único ponto, né? Querer. Querer
sair do aperto, da situação dolorosa, de parar de fazer mesmas escolhas ruins.
Quem encontra a solução é quem a procura e para isso é preciso querer. Não há
nada de fraco em pedir ajuda quando se precisa. Forte é quem melhor se adapta e
supera as próprias limitações não importando se conseguiu isso sozinho ou com
ajuda de um terapeuta.
Já aos "analise-me, por favor", deixo esse
recado: assim como um cirurgião não faz cirurgia numa mesa de bilhar, um psicólogo
precisa de um ambiente reservado para acessar suas emoções e pensamentos. E
devagar com a ansiedade! Nós não nascemos sabendo andar, aprendemos aos poucos
e assim é com todo nosso comportamento, nós levamos anos para nos tornar quem
somos, não adianta querer acelerar o processo, é preciso respeitar nosso tempo.
Então não numa conversa que dissecamos sua essência.
Vale lembrar ainda que pedir consultas fora do consultório
só vale em casos de emergência. Um psicólogo é uma pessoa como outra qualquer:
quando sai do trabalho precisa falar abobrinha pra relaxar e respirar um pouco
da própria vida, já que passa tanto tempo procurando compreender a de seus
clientes.