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Concórdia não é só conformidade de pareceres. É, mesmo na diversidade, refletir e argumentar com inteligência, paz e respeito. O trabalho clínico, social e psicopedagógico numa postura informativa e reflexiva.
terça-feira, 17 de maio de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Nos meus braços
De vez em quando assisto ou leio algo sobre a importância do abraço, daquele simples gesto de oferecer o seu aconchego à alguém para demonstrar que gosta, que se importa, que sente saudade, que perdoa, que quer bem. Que o calor desse momento cura feridas do coração, conforta, alivia, faz sorrir, salva a vida de bebês, fortalece as defesas do corpo. E hoje depois de tantos abraços recebidos ao reencontrar amigos e família, senti o coração ansioso ao arrumar os livros para mais uma jornada fora da minha terra. "Depois de tantos abraços?", pensei... Pensei em quem gostaria de abraçar nesse momento e sem que percebesse meus braços se cruzaram no peito e minhas mãos estavam nos ombros enquanto minha cabeça se apoiava no meu ombro. Eu estava me abraçando... e me acalmei. Era o abraço de que precisava naquele momento. E me perguntei quantas vezes já tinha me abraçado e nem sequer me lembrava de já o ter feito antes.
Algo tão simples que pode ser feito a qualquer momento e sem a intenção de suprir a ausência de outras pessoas, mas de abraçar você mesmo, aquela pessoa que aprendeu a se olhar com carinho, rir de si mesmo, admirar as próprias batalhas, aspirar os próprios sonhos, que ama, odeia, perdoa, a criança e o adulto que vivem dentro de si, esses que sempre precisam um do outro para viver melhor, mas que nem sempre se entendem, por que não consolar um ao outro? O abraço silencioso que diz sem palavras que entende, que tudo vai ficar bem, que ama e que admira, que as respostas virão, que você não precisa estar certo o tempo todo, que precisa ter mais paciência, de mais ternura, que precisa parar de olhar apenas para fora e olhar para dentro uns instantes. Só para lembrar também de que nos grandes desafios da vida podemos até ter companhia, mas que sempre estamos sozinhos assim como chegamos e como vamos deixar esse mundo, e que precisamos ser também nossos melhores amigos e aprender a desfrutar da nossa própria presença. Nenhum homem é uma ilha, mas a vida é uma jornada de superações solitárias e se não apreciarmos quem somos, quem é que vai?
Gentileza gera gentileza. Abrace-se hoje!quarta-feira, 6 de abril de 2011
Casa
Estou com tantos sentimentos e emoções dentro de mim que está difícil falar sobre eles... O chegar e o partir só é mais simples quando se está de férias (sem mencionar as exceções a essas aí também): um mês passeando e rotina de novo. "Qualquer dia a gente se vê" parece que é um eufemismo para "quem sabe um dia?" e nada mais é do que uma sentença de que o abandono é certo. Isso em se falando de partir... Quando se fala em chegar, depois de deixar aquele lar que se construiu e a nova família que cativou, é olhar de novo para a velha família que ficou e os velhos amigos que se cultivou, mas que nada conhecem desse novo eu que retornou... Esse novo ser tem a cara do velho, mas um olhar novo, mesmo coração, mas novas canções, mesmo sorriso, mas novas gargalhadas. Traz na mala não só novas histórias, mas novos horizontes. Vem com o coração cheio de novos irmãos, irmãs, pais, mães, filhos e filhas, tios, tias, primos, amores: amigos que foram os responsáveis pelo lar tão longe do lar, mas que não deixa de ser lar.
Não é preciso muito tempo de pé na estrada para se perceber que não são as paisagens que fazem uma boa viagem, mas as pessoas que cruzam nosso caminho. E o viajante vai aprendendo que a casa está no peito, carregada de lembranças que são o único e verdadeiro lar que possui: nem fotografias, nem camisetas, nem colares...
Por isso é tão difícil dizer adeus. São famílias de quem nos despedimos para encontrar outras. E nem por isso é mais fácil chegar, encontrar quem se ama depois de tanta estrada precisa do mesmo coração aberto de quem foi explorar o desconhecido: procurar entender o diferente e compreender quando não te compreendem...
Mas cada passo em direção a encontros ou despedidas mesmo tendo essa forte sensação de superação, sempre acompanhada de dor, saudade, alegria e surpresa, parece que aumenta a capacidade de sentir, de amar como se expandisse o coração para que ele bombeie calor para tantos familiares espalhados em pontos diferentes do mundo.
Aqui estou eu fazendo isso: abraçando os que estão perto e nas palavras pulsando o calor da saudade para os que estão em outras terras e outros oceanos...
Não é preciso muito tempo de pé na estrada para se perceber que não são as paisagens que fazem uma boa viagem, mas as pessoas que cruzam nosso caminho. E o viajante vai aprendendo que a casa está no peito, carregada de lembranças que são o único e verdadeiro lar que possui: nem fotografias, nem camisetas, nem colares...
Por isso é tão difícil dizer adeus. São famílias de quem nos despedimos para encontrar outras. E nem por isso é mais fácil chegar, encontrar quem se ama depois de tanta estrada precisa do mesmo coração aberto de quem foi explorar o desconhecido: procurar entender o diferente e compreender quando não te compreendem...
Mas cada passo em direção a encontros ou despedidas mesmo tendo essa forte sensação de superação, sempre acompanhada de dor, saudade, alegria e surpresa, parece que aumenta a capacidade de sentir, de amar como se expandisse o coração para que ele bombeie calor para tantos familiares espalhados em pontos diferentes do mundo.
Aqui estou eu fazendo isso: abraçando os que estão perto e nas palavras pulsando o calor da saudade para os que estão em outras terras e outros oceanos...
quarta-feira, 9 de março de 2011
Entre a terra e a agua...
De volta ao ponto no oceano, pequena ilha do Caribe, Saint Vincent, terra umida e quente, musical, cheirosa e sorridente...
Cheguei aqui ha quase duas semanas, finalmente uma pausa verdadeira, um lugar familiar, uma zona de transicao entre a Africa e o Brasil, para voltar aos poucos sem tropecar. Cheguei aqui e lembrei o que e relaxar...
A verdade e que nao e facil chegar, assim como nao e facil deixar. Digo deixar e nao partir, porque este segundo sim, e facil, simples, tao cheio de esperancas e expectativas. Mas o deixar aperta, sufoca, cria o vazio que toda lembranca ecoa com uma ponta de alegria, dor e saudade.
O Caribe para mim e o pantanal: um lugar entre a terra e a agua. Nem Brasil, nem Africa. Nem casa, nem rua. Nem ferias, nem trabalho... Mais umas semanas nesse pantano indistinto soa como sala de espera, camarim e por que nao dizer um utero?...
Com poucas palavras para continuar, deixo aqui um poema que escrevi uns dias antes de sair de Mocambique...
Cheguei aqui ha quase duas semanas, finalmente uma pausa verdadeira, um lugar familiar, uma zona de transicao entre a Africa e o Brasil, para voltar aos poucos sem tropecar. Cheguei aqui e lembrei o que e relaxar...
A verdade e que nao e facil chegar, assim como nao e facil deixar. Digo deixar e nao partir, porque este segundo sim, e facil, simples, tao cheio de esperancas e expectativas. Mas o deixar aperta, sufoca, cria o vazio que toda lembranca ecoa com uma ponta de alegria, dor e saudade.
O Caribe para mim e o pantanal: um lugar entre a terra e a agua. Nem Brasil, nem Africa. Nem casa, nem rua. Nem ferias, nem trabalho... Mais umas semanas nesse pantano indistinto soa como sala de espera, camarim e por que nao dizer um utero?...
Com poucas palavras para continuar, deixo aqui um poema que escrevi uns dias antes de sair de Mocambique...
O monte virou planicie
Como dunas de areia
a caminhar com o vento
Pouco a pouco a passar,
diminui e agora a cessar.
A montanha so fica na lembranca
Depois de subi-la, e collina...
Uma escada de tres degraus
a uma piscina de bonanca.
De mestres a marionetes
O coracao para, palpita, aquece
Brinca com a mente
a sambar com polka
a disfarcar quando o caos floresce.
A trilha do delirio ao nirvana
se completa e retorna
Num ritmo viril, gentil e constante
Cobre de louros o destino
Que vibra e avanca no horizonte
Sempre alem daquilo que domino
A lembrar do pulso forte de viajante
Escolhas a moldar o caminho
Fe guerreira a mover outro monte
Escaladas iluminadas ao infinito e avante.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Pausa
Antes de um mergulho, e preciso parar e respirar...
Para se formar uma frase e preciso espacos...
Para compor uma musica, pausas...
Pausa para respirar.
Mas ainda com o pe na estrada.
em Londres.
Muitas pessoas, muitos carros, muito frio...
Muita tecnologia, muito barulho, sem mosquitos...
Muitas vozes, pontualidade e espaco pessoal...
Para se formar uma frase e preciso espacos...
Para compor uma musica, pausas...
Pausa para respirar.
Mas ainda com o pe na estrada.
em Londres.
Muitas pessoas, muitos carros, muito frio...
Muita tecnologia, muito barulho, sem mosquitos...
Muitas vozes, pontualidade e espaco pessoal...
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Acentos e assentos
"Ja estou com o pe nessa estrada, qualquer dia a gente se ve.
Sei que nada sera como antes amanha..."
Aqui estou eu de novo depois de um mes sem escrever. Ja deu para perceber que a acentuacao esta completamente ausente dessa postagem, isso gracas a bencao de ter acesso a internet via cyber cafe e nao do meu proprio computador que sucumbiu aos inumeros e constantes ataques de virus africanos e outras avarias, e apos muitas batalhas ora vencidas ora perdidas, o vendi a uma pessoa que poderia restaurar um pouco de dignidade ao tempo de vida que ainda lhe resta.
Entao tenho que levantar as maos para o ceu que tenho net, mas aceitar as limitacoes da mesma.
Nao poder acentuar meu texto e uma ironia do destino neste momento. Porque sinto que nao consigo mesmo acentuar o que e e foi mais significativo para mim nesse tempo na Africa, que esta com dias contados para acabar. Sinto que a acentuacao desaparece mesmo que escreva longos textos sobre isso.
Nao posso expressar tudo o que sinto e agradeco seja para as pessoas de longe, seja para as pessoas de perto. Mas aqui estou. Assentos reservados para sair da Africa. Apenas dois dias a mais em Inhambane. Quatro a mais em Mocambique. E seis de Africa...
Daqui pra frente, muitos assentos, assentar-me tambem e possivel, ja que agora pude me acentuar imensamente...
Agradeco a todos, a tudo, por acentos, espacos e assentos.terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Online
Conectar. Olhar as pessoas com mais calma, aceitação, respeito. Concentrar-se no presente e menos no futuro. A olhar para dentro ver medos sem me assustar. Olhar e realmente enxergar. Sentir o sorriso ou chorar...
Desconectar. Enquanto a "África" dava a sua contribuição no péssimo acesso à internet por aqui, eu aprendi a desconectar... Deixar-se criar um hábito, mas não que dite regras como se fosse ele uma necessidade. Deixar que as emoções tomem conta e depois dizer a elas quem manda. Deixar somente... deixar...
Entre conexão e desconexão, fez-se uma dança que fluiu no tempo numa combinação de lágrimas, sorrisos e silêncio.
A música está quase no fim. "Deixe-me ir, preciso andar", apreciar e vivenciar antes do ritmo cessar.
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