segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O ritmo e a pausa

O mês de dezembro é colorido. Cores vivas de lembranças, sorrisos, lágrimas, saudades e alegria. O som de dezembro chegando pra mim é sempre muito barulhento: pessoas conversando, rindo, se movimentando muito rapidamente e parando suavemente para ouvir uma música e simplesmente sentir...
É um mês cheio de cheiros de decoração espalhada pela casa, de comidas diferentes sendo preparadas na cozinha e pessoas bem arrumadas para as comemorações do período.
Estou longe da minha família e dos meus amigos, mas o mês dezembro em terras estrangeiras tem o mesmo cheiro, mesma cor e mesmo som. Só faltam as vozes e o calor de meus amores distantes, o que tornaria o Natal completo.
Mesmo pela metade, o Natal é sempre especial e aqui fazemos de tudo para nos lembrar disso. O quarto que divido com Elizabeth foi, com muito carinho, decorado com pequenos ornamentos que sumiriam em nossas casas, mas que aqui é primeira coisa que as pessoas notam quando passam ou entram no nosso quarto.
Para comemorar dezembro, fazemos e participamos de muitos eventos. Um deles foi o show de talentos. E como temos pessoas talentosas aqui: vozes lindíssimas, pensamentos poéticos, mãos minuciosas no desenho e mentes transbordando senso de humor. Eu me encaixei na nessa categoria do humor, preferi do que ter que traduzir um de meus poemas... Então montei um número com a Beth: fomos as ajudantes do papai noel. Sim, pequenos duendes cantando "Santa Claus is coming to town". Claro que diante de tantos 'reais' talentos tivemos que justificar que escolhemos esse porque tínhamos tantos que ficou difícil escolher um só... :-)))
Mas preferi  esse a recitar um poema, sem dúvida. Foi bom lembrar de rir de nós mesmos, de que todos podemos ser ajudantes de papai noel distribuindo  presentes e alegria. 
Durante essas festas e comemorações, as aulas continuavam, mas já com um espírito de férias, um pouco mais de descontração e ansiedade para os dias livres. Uns se preparando para voltar aos seus países, rever suas famílias e amigos, comer suas comidas preferidas, visitar lugares que lhe fazem lembrar o sentido de 'lar'. 
Para os que ficaram a sensação é de "procurar o que fazer", pois essa é uma época preenchida por família e as nossas não estão aqui. O que temos são amigos novos, praias, rios, cachoeiras e muitas trilhas... Então o que fazemos é ir atrás de trazer para o vazio um pouco da sensação de estar em casa e a sensação libertadora de estar perto da natureza...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Desejo

Não sei... se a vida é curta ou longa demais pra nós.
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser :
Colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta,
silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre,
olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo. É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais.
Mas que seja intensa, verdadeira, pura...
Enquanto durar.

Cora Coralina

Coisas que estamos sempre aprendendo

Depois de algum tempo!...
William Shakespeare

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.
Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la... E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos de mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam... Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa... Por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa aonde já chegou, mas para onde está indo... Mas se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão... E que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens... Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém...
Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar... Que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Os dois lados de São Vicente


Ontem tive maravilhosa experiência de visitar o outro lado da ilha. Fomos visitar um convento que um foi um hospital infantil e hoje funciona como um orfanato. A visita foi como esperava: uma realidade cheia de pessoas necessitadas de tudo: atenção, carinho, brinquedos, roupas, boa alimentação, saúde. O orfanato fica no lado rico de São Vicente (Windward), um lado muito mais do simplesmente luxuoso, parece que se está em outro país. As pessoas não ficam nas ruas, as cidades muito organizadas, limpas e com casas belíssimas, mais parece uma cidade fantasma. As pessoas, adultos e crianças, são mais calmas, gentis, mais atenciosas, muito menos agressivas que no lado em que moro (Leeward), o lado pobre. A natureza calma das pessoas contrasta com a violência do mar do Atlântico que banha esse suntuoso lado de São Vicente e ficamos com a sensação de que o mar pede olhares quando passamos por ele.As casas são afastadas da estrada e com grande espaço entre si. Bem diferente do outro lado. A sensação que mais me assustou foi de "aqui é privativo, não mexa, não toque!".



Ao retornar para o nosso lado, o sol estava se pondo e uma música suave tocava na van o que tornou mais romântico olhar para as pessoas nas ruas comemorando suas vidas, rindo alto e dançando. "Nosso lado tem mais vida" falei para minha roomie que me acompanhou ao orfanato. Mais vida porque sentem, mais vida por choram, gritam, riem, convivem com a dor, a encaram e levam para a comunidade ao invés de trancarem-se em suas casas numa privacidade solitária.
A solidão e abandono em que se encontram o orfanato fez muito mais sentido, lá é o lugar em que se escondem "as pessoas problemas", os transviados e loucos como diria Foucault na "História da Loucura", pois nenhum das crianças eram órfãs: todos os pais estão vivos. Mas foram deixadas e esquecidas num lugar em que a memória parece ser algo sempre doloroso. 
Esse foi o primeiro laço de Richmond Vale Academy com o orfanato e nossa missão é clara e simples: estar lá por eles.

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