
Alguns cliques dos momentos dessa minha vida na região sudeste do Brasil
Enquanto o ano de 2009 vem se revelando nada convencional com a queda de nada menos que dois airbus em vôos internacionais, além claro da morte do 'rei' Michael Jackson nos EUA e os 50 anos de carreira do 'rei' Roberto Carlos aqui no Brasil, fora os escândalos de corrupção aqui nas terras verde e amarelas que não são novidade, nem os pivôs são novos também, agora foi a vez do Sarney e do Senado, de novo?... Pois é, fazer o que o povo brasileiro vem aprendendo agora a mostrar que pode enxergar e agir diante da tranbiqueira que governa nosso país. Mas ainda temos muito chão pela frente.
Na minha vida, também não está muito diferente. Minha querida avó Dulce foi ficar do ladinho do papai do céu e deixou um vazio enorme em mim e na nossa família. Sabemos que ela deve estar bem, e que seu ensinamentos viverão para sempre dentro de nós. Mas o que fazer? A falta é uma lacuna, não é um mero vazio, é 'falta', algo estava aqui e não está mais. Imagine então quando esse algo era nada mais nada menos do que esse ser cativante e encantador que foi D. Dulce? A vida continua... Nesse mesmo ano, na verdade só algumas semanas depois, nasceu Miguel, meu terceiro sobrinho. E que seja bem vindo e abençoado!! Vá saber porque cargas d'água meu carma é ter tanto sobrinho homem... Que seja, vai ser divertido! Para o Miguel, só tenho a dizer que gostaria de ter ficado noites em claro ao lado de sua mãe auxiliando a sua chegada, assim como fiz com seu irmão. Mas a vida nos prega surpresas e eu não estava aí nem para conhecer você. Por ser mais sensível que todos nós, você deve saber que meu pensamento estava com você e que um dia vamos nos conhecer e vou poder dar muitos beijinhos, cheiros e abraços. Além de deixar que você me ensine muitas coisas. Sim, porque você já deve ter percebido que as crianças tem que ter muita paciência com os adultos: a gente nem sempre, às vezes quase nunca, entende o que vocês querem dizer... Mas olha, vocês vão entender isso quando forem cuidar dos filhos de vocês. Enfim, saiba que tia Bel te ama e pensa muito em você!
Tanta coisa acontecendo, e eu com essa sensação terrível de espera de que falei no post anterior. Mas a verdade é que agora estou bem mais tranqüila em relação a isso. É só aprender a diferenciar movimento de ação. O primeiro não tem objetivo, pode-se dizer até que é um mero passatempo, o famoso enchimento de linguiça. Já o segundo é bem diferente, é fruto de uma meta, um objetivo e claro, um projeto. Só consegui enxergar isso quando retomei meus estudos voltados para minha formação em responsabilidade social, mas mais especificamente quando procurei a conhecer de perto a prática ao invés de ficar só na teoria. Acho que quanto mais estamos próximo do que queremos, mais certeza temos de onde estamos. Realmente eu me sentiria sufocada se tivesse escolhido entrar numa especialização, que me levaria a um estágio e assim por diante. Ou seja, eu ainda passaria muito mais tempo no mundo acadêmico do que no mundo real. Sim, porque há uma discrepância brutal entre os dois. Hoje, alguns professores e algumas universidades já compreeendem isso e o quanto isso é nocivo, mas ainda são poucos. Os estágios não são sufucientes para suprir o abismo entre os dois.
Mas comigo a coisa ia mais além. Pois a verdade é que trabalhei e iria continuar trabalhando, portanto estava direto na prática. Era o trabalho a desenvolver que começou a me incomodar. Em outras palavras, nada parecia ser o que eu realmente queria. Até cair a ficha: meu constante interesse por antropologia... psicologia comunitária... responsabilidade social... desenvolvimento local! Era o que eu buscava.
E ir direto para campo ao mesmo tempo em que se vê a teoria é o método do treinamento que vou fazer de desenvolvimento local. E pra mim foi um verdadeiro salvador da sensação de sufocamento que eu estava diante das opções que tinha.
Perceber tudo isso me trouxe até aqui: um momento em que percebo que as soluções estão sempre diante de nós, mas muitas vezes damos voltas ao redor dela e não a alcançamos. Que sou hoje fruto de tudo que fiz ou deixei de fazer até esse exato momento em que estou.
Então o status de "sala de espera" mudou. Agora vejo que estou cozinhando em banho-maria. Sim, porque vamos lembrar que na culinária o que acontece é uma verdadeira alquimia! É só pensar como que aqueles bando de coisas que jogamos no liquidificador e que sai somente um liquido de gosto estranho se transforma num delicioso pudim ao passar pelo cozimento em banho-maria...