
Tito, Gi, eu e Tia Mazé
O mês de junho começa oficialmente. Faz quase dois meses que estou em São Paulo: primeiro com o objetivo de acompanhar Tia Mazé (esta miudinha que está ao meu lado) em exames e check ups no HC. Mas pouco tempo depois São Paulo simplesmente se tornou uma grande (a maior do Brasil) sala de espera. Nada mal, hein? Não por causa da titia, pois seu tratamento está bem tranqüilo e ela cada vez melhor. A espera é do objetivo que me trouxe aqui: o treinamento para ir a África que começa apenas em setembro no Caribe. Acredito que o maior problema da espera seja que se esta for longa, você acaba sem saber direito o que fazer... Não tem livro ou curso de uma semana que o entretenha o suficiente, sempre você acaba irritado por ainda não ter chegado sua vez. Sim, me atualizo em cursos por aqui além de desfrutar passeios, desbravando essa concretude toda que antes para mim era tão assustadora. Esse 'stand by' tem servido para me apresentar como as pessoas encaram a vida de maneira tão diferente do que via em Belém e, ao mesmo tempo, tão similar.
Há uma agressividade no trânsito, no mercado de trabalho, nos shoppings: são muitas pessoas sempre, em todos os lugares, querendo as mesmas coisas! O modo de se vestir reflete isso: muitas coisas iguais e extravagantes, tanto, tanto que o exótico é comum por aqui.
Pessoas famintas e desabrigadas simplesmente dominam o planeta. Fome de comida, atenção, afeto, conhecimento, objetivo de vida... vão vivendo um dia após o outro tentando somente preencher o vazio d'alma, do estômago, do bolso, da mente.
Vou pra África sim, mas não porque lá tenha mais necessitados que aqui. Foi só o local que escolhi para pôr em prática o que já sei e o muito que vou aprender com o DRH Moviment sobre desenvolvimento local. Mas a idéia é uma só: perceber a necessidade da população local, ajudá-la criar maneiras de suprí-las e de se tornar auto-suficientes.
Isso deixa mais claro pra mim que estar lá fora é um aprendizado, um estágio para o que realmente tem aqui no meu país para ser trabalhado e desenvolvido quando eu voltar.