No dia 15 de novembro eu saí de São Vicente para voltar ao Brasil. O objetivo dessa viagem foi resolver alguns assuntos que ficaram pendentes com a morte do papai. Papelada e mais papelada...
Mas nunca é só isso...
Quando saí da RVA várias coisas já passaram a se desenrolar... Uma delas é que cheguei à conclusão de que os vicentinos são muito solidários quando vêem um estrangeiro sozinho, mas nem sempre quando estão em grupo. Dormir só na pousadinha perto do aeroporto depois de ter aquela sensação de NUNCA se está só, é uma experiência deliciosa, nem percebia o quanto sentia falta disso - que foi o que mais me chamou atenção...
Minha primeira parada antes de chegar ao Brasil foi a Guyana - utilizei uma rota alternativa para ir direto à Belém sem precisar ir à São Paulo ou Rio de Janeiro. Chegando lá é que finalmente dei falta dos dólares que havia esquecido em São Vicente!... Ok, tudo bem, afinal tenho cartão internacional pra isso, certo? Errado! Meu cartão não funcionou em lugar nenhum. Literalmente. Mas aí é que está: como soube que não funcionava em lugar nenhum? O sub-gerente do aeroporto me deu carona por toda Georgetown para procurar um caixa eletrônico que meu cartão funcionasse. E, ao final, ofereceu uma casa onde poderia passar a noite...
O problema não era a noite, podia me encostar em qualquer lugar no aeroporto mesmo, o problema era comer e beber que não tinha dinheiro nem para água (e a água da torneira do aeroporto tinha um gosto horroroso)! Mas o convenci de que ficaria bem sentadinha do aeroporto.
Quando minha mala chegou (sim, minha mala foi extraviada!), recebi mais dois convites para passar a noite na casa de guianeses (a essa altura já pensava que o problema era meu de desconfiar tanto de pessoas tentando me ajudar...). E resolvi aceitar o convite do que disse que tinha mulher e duas filhas...
Então fui e passei a noite na casa de Anil, Anita, Alisha e Anisha, uma típica família de descendentes de indianos muito comum na Guiana. E eles me trataram como convidada de honra (dentro e talvez além das possibilidades deles).
A Índia está em todo lugar na Guiana ao lado com os traços da colonização britânica: sorri quando parei na esquina da Carmichael St com Lamaha Ave...
Além de estar abrigada e alimentada, estava feliz de estar tão perto da cultura desse país tão próximo do Brasil - e de Belém - e até então, tão desconectado da América Latina para mim...
Quando enfim cheguei ao Brasil, vieram os abraços apertados e longas conversas, muitas perguntas tentando atualizar os meses que se passaram distantes dos amigos e familiares.
As coisas que mudaram fascinam, encantam e até assustam... Os que permaneceram trazem alívio, alegria ou decepção.
O coração estava transbordando todo tipo de emoção: os reencontros foram muitos. Alguns cheios de ternura e saudade como rever meus irmãos, sobrinhos, minha mãe com os olhos marejados de saudade; ou de muita paixão como rever Michael, um amor de tanto tempo; e ainda aqueles que doeram e ainda doem como tocar o túmulo do papai...
E quando retornei reencontrei esse presente: minha vida em treinamento, minha vida em comunidades. Meus novos amigos e meus novos desafios.
O bem mais precioso que carregamos é a memória e para tê-la é preciso estar atento ao que se passa e sempre escolher pelo que se quer passar (quando temos a chance) - Carpe Diem! Por isso fui e por isso voltei. E por isso, mesmo com muitas saudades, estou feliz.
Mas nunca é só isso...
Quando saí da RVA várias coisas já passaram a se desenrolar... Uma delas é que cheguei à conclusão de que os vicentinos são muito solidários quando vêem um estrangeiro sozinho, mas nem sempre quando estão em grupo. Dormir só na pousadinha perto do aeroporto depois de ter aquela sensação de NUNCA se está só, é uma experiência deliciosa, nem percebia o quanto sentia falta disso - que foi o que mais me chamou atenção...
Minha primeira parada antes de chegar ao Brasil foi a Guyana - utilizei uma rota alternativa para ir direto à Belém sem precisar ir à São Paulo ou Rio de Janeiro. Chegando lá é que finalmente dei falta dos dólares que havia esquecido em São Vicente!... Ok, tudo bem, afinal tenho cartão internacional pra isso, certo? Errado! Meu cartão não funcionou em lugar nenhum. Literalmente. Mas aí é que está: como soube que não funcionava em lugar nenhum? O sub-gerente do aeroporto me deu carona por toda Georgetown para procurar um caixa eletrônico que meu cartão funcionasse. E, ao final, ofereceu uma casa onde poderia passar a noite...
O problema não era a noite, podia me encostar em qualquer lugar no aeroporto mesmo, o problema era comer e beber que não tinha dinheiro nem para água (e a água da torneira do aeroporto tinha um gosto horroroso)! Mas o convenci de que ficaria bem sentadinha do aeroporto.
Quando minha mala chegou (sim, minha mala foi extraviada!), recebi mais dois convites para passar a noite na casa de guianeses (a essa altura já pensava que o problema era meu de desconfiar tanto de pessoas tentando me ajudar...). E resolvi aceitar o convite do que disse que tinha mulher e duas filhas...
Então fui e passei a noite na casa de Anil, Anita, Alisha e Anisha, uma típica família de descendentes de indianos muito comum na Guiana. E eles me trataram como convidada de honra (dentro e talvez além das possibilidades deles).
A Índia está em todo lugar na Guiana ao lado com os traços da colonização britânica: sorri quando parei na esquina da Carmichael St com Lamaha Ave...
Quando enfim cheguei ao Brasil, vieram os abraços apertados e longas conversas, muitas perguntas tentando atualizar os meses que se passaram distantes dos amigos e familiares.
As coisas que mudaram fascinam, encantam e até assustam... Os que permaneceram trazem alívio, alegria ou decepção.
O coração estava transbordando todo tipo de emoção: os reencontros foram muitos. Alguns cheios de ternura e saudade como rever meus irmãos, sobrinhos, minha mãe com os olhos marejados de saudade; ou de muita paixão como rever Michael, um amor de tanto tempo; e ainda aqueles que doeram e ainda doem como tocar o túmulo do papai...
E quando retornei reencontrei esse presente: minha vida em treinamento, minha vida em comunidades. Meus novos amigos e meus novos desafios.
O bem mais precioso que carregamos é a memória e para tê-la é preciso estar atento ao que se passa e sempre escolher pelo que se quer passar (quando temos a chance) - Carpe Diem! Por isso fui e por isso voltei. E por isso, mesmo com muitas saudades, estou feliz.
Isabelinha!
ResponderExcluirGuria, tu me fascinou com essa escrita, as coisas passam tao rapido, mas nesse curto periodo coisas extraordinarias acontecem e 'e ai que entra o que voce disse: "O bem mais precioso que carregamos é a memória" com isso nos ajoelhamos para nos mesmos e nossas maravilhosas atitudes na vida.