Ontem tive maravilhosa experiência de visitar o outro lado da ilha. Fomos visitar um convento que um foi um hospital infantil e hoje funciona como um orfanato. A visita foi como esperava: uma realidade cheia de pessoas necessitadas de tudo: atenção, carinho, brinquedos, roupas, boa alimentação, saúde. O orfanato fica no lado rico de São Vicente (Windward), um lado muito mais do simplesmente luxuoso, parece que se está em outro país. As pessoas não ficam nas ruas, as cidades muito organizadas, limpas e com casas belíssimas, mais parece uma cidade fantasma. As pessoas, adultos e crianças, são mais calmas, gentis, mais atenciosas, muito menos agressivas que no lado em que moro (Leeward), o lado pobre. A natureza calma das pessoas contrasta com a violência do mar do Atlântico que banha esse suntuoso lado de São Vicente e ficamos com a sensação de que o mar pede olhares quando passamos por ele.As casas são afastadas da estrada e com grande espaço entre si. Bem diferente do outro lado. A sensação que mais me assustou foi de "aqui é privativo, não mexa, não toque!".
Ao retornar para o nosso lado, o sol estava se pondo e uma música suave tocava na van o que tornou mais romântico olhar para as pessoas nas ruas comemorando suas vidas, rindo alto e dançando. "Nosso lado tem mais vida" falei para minha roomie que me acompanhou ao orfanato. Mais vida porque sentem, mais vida por choram, gritam, riem, convivem com a dor, a encaram e levam para a comunidade ao invés de trancarem-se em suas casas numa privacidade solitária.
A solidão e abandono em que se encontram o orfanato fez muito mais sentido, lá é o lugar em que se escondem "as pessoas problemas", os transviados e loucos como diria Foucault na "História da Loucura", pois nenhum das crianças eram órfãs: todos os pais estão vivos. Mas foram deixadas e esquecidas num lugar em que a memória parece ser algo sempre doloroso.
Esse foi o primeiro laço de Richmond Vale Academy com o orfanato e nossa missão é clara e simples: estar lá por eles.

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