domingo, 11 de novembro de 2012

De volta ao social...

Quando voltei ao Brasil, tudo o que pensava é que queria trabalhar com outras coisas, longe do trabalho social. Um ano e meio após meu retorno, lá estava eu em comunidades carentes de novo... E fiquei intrigada em saber o motivo de querer me afastar, mas, principalmente, no motivo de querer assumir de novo esse trabalho. 
Não é tão difícil imaginar que após ver uma realidade dura tão de perto como aconteceu em Moçambique, eu quisesse um tempo para respirar... Eram sempre vidas com histórias de perda, dor, doença, miséria e desesperanças que, na maioria dos casos, as pessoas iam vivendo suas vidas como sendo aquela a única realidade possível. E a sensação que nos acompanha é sempre de impotência, mesmo quando podemos e fazemos alguma coisa para auxiliar é apenas um grão de areia na praia.
Obviamente, o problema era comigo, na minha tolerância à dor empática vendo a realidade do outro. Além disso, um medo de que fosse engolida por aquela visão de mundo e ficasse presa nela eternamente.
Porém a volta foi no momento certo para voltar a enxergar e para refletir sobre toda aquela estranheza...
Como uma profecia desse período entre meu retorno e o momento que retomei o trabalho social, Galeano bem diz: "O medo de saber nos reduz à ignorância; o medo de fazer nos reduz à impotência". E ignorante e impotente me senti até o momento em que percebi que o medo de saber e de fazer me afastavam de um trabalho que amo, mas que tem seu preço. E a pergunta "eu estou disposta a pagar esse preço?" ruminou tanto na minha cabeça até o momento em que deixou de ser uma pergunta e se tornou uma afirmação.
Deixando minha "síndrome de Madre Tereza de Calcutá" de lado, acho mesmo que a carência maior do mundo não é de grandes ações comunitárias para sanar as grandes falhas do nosso governo corrupto (nossas próprias escolhas). Temos generalizado uma questão cultural de egocentrismo. Se a maioria de nós tivesse a capacidade de olhar para o outro e ao redor e se importar, teríamos uma realidade bem diferente. Curiosamente, Moçambique sofre menos dessa mazela. As pessoas são mais solidárias e generosas diante da necessidade do outro. 
A pergunta que me faço todos os dias agora é: "como fazer que os outros vejam e se importem?"... Não acredito que campanhas sensacionalistas sejam a solução, tudo o que fazem é tornar a realidade fabricada e a idéia piegas. Nem acho que 'campanhas' se apliquem aqui. Acredito que uma reforma humanista especialmente da educação pode começar a formar mais seres sociais e menos indivíduos. É minha meta.

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