quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Educação 1 - Pensar na pré-escola


Trabalhar com pré-escolas em Moçambique é um trabalho que exige sempre que se lembre as pessoas a importância da criança passar por esse estágio antes de já entrar nas salas de aula da escola primária. É aqui que a criança muitas vezes aprende o português (já que a primeira língua que aprendem são as africanas), algo que professor de escola primária não vai se preocupar, mesmo com as notas estranhamente baixas em todas as disciplinas. A idéia é a pré-escola seja auto-suficiente, mantida pela própria comunidade. Para isso precisam pagar uma taxa simbólica do equivalente a R$1,20, para subsídio do professor. A realidade aqui permite que esse valor seja pago sem muito sacrifício da família, mas eles simplesmente se recusam a pagar. Entra em questão aí a ajuda que qualquer projeto ou pessoa física ofereça à pré-escola ou associação: a comunidade não se acha que deve pagar mais nada e se nega a colaborar. Isso não é via de regra, em algumas comunidades, ainda temos alguma colaboração dos pais, mas bem poucas. A foto em questão é da campanha de higiene que estamos realizando em cada escolinha. O dinheiro vem de doação de amigos e família.Moçambique há muita ajuda internacional oferecendo soluções prontas para todos os problemas. Mas raríssimo os que oferecem a oportunidade das pessoas procurarem soluções por si mesmas. Isso não se vê muito por aqui: a maioria das vezes, as pessoas cruzam os braços e põem a culpa em alguém, mesmo em casos de vida ou morte. Quando comecei a trabalhar com as pré-escolas, essa questão ainda não tinha ficado muito clara para mim. Mas é lá que vemos essa cultura da passividade sendo implantada ma mente das crianças. Tudo se copia, tudo se repete, nada se responde, nada se escreve... Como não se criar uma sociedade de pessoas que esperam que os outros lhe digam o que fazer? Aqui mais uma vez questiono a se ter muito cuidado quando se diz se vai ajudar alguém... Oferecer soluções pode ser exatamente manter a pessoa em problemas.

Um comentário:

  1. É muito mais cômodo e prático fazer pelo outros do que fazer COM os outros; a política da passividade relaciona-se com a de dominação.
    Fico feliz em ver os caminhos que tens trilhado.
    Parabéns!
    Um abraço intersustentável do Manoel de Christo.

    ResponderExcluir

Pesquisar este blog