De vez em quando assisto ou leio algo sobre a importância do abraço, daquele simples gesto de oferecer o seu aconchego à alguém para demonstrar que gosta, que se importa, que sente saudade, que perdoa, que quer bem. Que o calor desse momento cura feridas do coração, conforta, alivia, faz sorrir, salva a vida de bebês, fortalece as defesas do corpo. E hoje depois de tantos abraços recebidos ao reencontrar amigos e família, senti o coração ansioso ao arrumar os livros para mais uma jornada fora da minha terra. "Depois de tantos abraços?", pensei... Pensei em quem gostaria de abraçar nesse momento e sem que percebesse meus braços se cruzaram no peito e minhas mãos estavam nos ombros enquanto minha cabeça se apoiava no meu ombro. Eu estava me abraçando... e me acalmei. Era o abraço de que precisava naquele momento. E me perguntei quantas vezes já tinha me abraçado e nem sequer me lembrava de já o ter feito antes.
Algo tão simples que pode ser feito a qualquer momento e sem a intenção de suprir a ausência de outras pessoas, mas de abraçar você mesmo, aquela pessoa que aprendeu a se olhar com carinho, rir de si mesmo, admirar as próprias batalhas, aspirar os próprios sonhos, que ama, odeia, perdoa, a criança e o adulto que vivem dentro de si, esses que sempre precisam um do outro para viver melhor, mas que nem sempre se entendem, por que não consolar um ao outro? O abraço silencioso que diz sem palavras que entende, que tudo vai ficar bem, que ama e que admira, que as respostas virão, que você não precisa estar certo o tempo todo, que precisa ter mais paciência, de mais ternura, que precisa parar de olhar apenas para fora e olhar para dentro uns instantes. Só para lembrar também de que nos grandes desafios da vida podemos até ter companhia, mas que sempre estamos sozinhos assim como chegamos e como vamos deixar esse mundo, e que precisamos ser também nossos melhores amigos e aprender a desfrutar da nossa própria presença. Nenhum homem é uma ilha, mas a vida é uma jornada de superações solitárias e se não apreciarmos quem somos, quem é que vai?
Gentileza gera gentileza. Abrace-se hoje!
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