domingo, 5 de dezembro de 2010

Cultura 7 - Quem tem um sonho?

“Hoje, eu tenho um sonho” disse Martin Luther King em frente ao Memorial Lincoln em Washington após os negros terem conquistado direito de igualdade perante a sociedade dos Estados Unidos da América. Sempre me perguntei por que ele diria isso diante de um momento em que o sonho estava se concretizando. Mas existe uma grande fresta entre se uma lei aprovada e sua aplicação. Um povo pode possuir leis muito justas e ainda assim viver em trevas.
Onde estou há leis premiadas internacionalmente e pessoas que são indiferentes e burladores dela e outras - a maioria - que simplesmente a ignoram. Agir sob costumes que retardam qualquer progresso. Começam desde os que estão no poder e que dirá dos que nem acesso à informação dos seus direitos têm. A ajuda internacional somente acostumou um povo organizado em tribos a pedir indiscriminadamente entre eles próprios e principalmente aos que vem de fora. Pedem tudo, o que precisam e o que querem. E por que falei sobre o sistema de tribos? Essa teoria surgiu de uma pessoa que conheci e me parece que faz sentido esses e outros entraves ao desenvolvimento surgirem. São competitivos entre si, mesmo dentre aqueles que sabem o outro tem mais necessidades que si próprio, mas ainda assim querem tirar vantagens. Ouvi bastante quando cheguei aqui: “essa nossa raça não presta, todos têm inveja e querem destruir o outro”. Claro que minha reação chocada era dizer que isso era uma condição humana não de raça. Mas hoje compreendo melhor o que queriam me dizer. Aqui não é uma mera competição de ser melhor ou pior. O comportamento ainda tribal leva a roubar, vandalizar, agredir mesmo aqueles que são seus vizinhos, familiares... A corrupção é diária, comum, ‘normal’.
A ajuda internacional manda rios de dinheiro para que a população tenha benefícios como registro civil grátis, roupas e medicamentos para órfãos etc. O registro civil tem que ir até as comunidades longínquas para alcançar as pessoas que nem dinheiro de transporte têm. Quando chegam lá, cobram pelo registro a essas mesmas pessoas que nem sabem o que vão comer amanhã. Roupas são vendidas, oferecidas a amigos e familiares.
Há muitas oportunidades de ser corrompido aparecem aqui. As pessoas pedem chorando para que você as beneficie, mesmo que de maneira antiética. E se escandalizam quando recusamos nos corromper, porque você está sendo maldoso.
Essa história me lembra sim, o “jeitinho brasileiro” de resolver os problemas. Mas não me lembro de ter dificuldades de encontrar pessoas honestas no Brasil, mesmo com tantas corrompidas. Mas aqui sim, é difícil. Dar a palavra aqui não significa nada. Descumprem com a mesma facilidade com que a proferiram.
São essas algumas passagens que tenho observado aqui. E da minha luta diária para manter na mente que somente a educação, o exemplo e tempo podem ensiná-los a viver com ética; que mesmo os responsáveis pela educação sendo corruptos, as raras exceções podem fazer a diferença no futuro. E que eu se quiser fazer a diferença precisaria de um tempo de dedicação a esta causa muito superior a um ano...

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